Comunicação, Just A Little Bit Funky, É Tudo Relativo..., A Política Apocalíptica

sábado, 7 de julho de 2012

Persona non grata


O mais intrigante do nascimento de um apontamento qualquer é deparar-se com dúvidas tão importantes como as suas possíveis respostas. Não seria diferente com política brasileira. Ao se observar a cobertura  dos jornais como informações presas somente a personagens específicos, faz-se necessário entender o processo presidencialista do país. 

Tentar ligar a cultura presidencialista com uma cobertura de personalidades talvez ajude a elucidar os aspectos históricos e estruturais da mídia impressa nacional. 

O traço personalista do modelo de governo presidencialista, associado ao controle de grupos familiares ligados a elites políticas abre espaço para uma cobertura, em grande parte, de personagens e não de questões sociais relevantes para o povo brasileiro. Pode-se apontar a personificação do presidente da república, impressa no modelo de governo presidencialista, como justificativa para a cobertura política de personagens das editorias dos impressos nacionais. Bem como o caráter personalista da cultura política brasileira influencia a cobertura de ações públicas por parte dos veículos de mídia impressa brasileiros. 

Ao se considerar os fatos históricos, enfatiza-se o controle das empresas jornalísticas e de radiodifusão por elites familiares, politicamente comprometidas, como agente construtor de uma cultura negativamente personalista nas editorias políticas.

AINDA NA ERA DIGITAL, OS JORNAIS IMPRESSOS SÃO FONTES LEGÍTIMAS DE RECONSTRUÇÃO HISTÓRICA.



O PAPEL É APENAS O SUPORTE DE UM EMARANHADO DE INFORMAÇÕES MAIS COMPLEXAS DO QUE SE SE PODE IMAGINAR.


O primeiro jornal impresso brasileiro é de 1808, quando o país ainda era uma simples colônia de Portugal. Do seu descobrimento, em 1500 até a primeira edição de um jornal foram mais de 300 anos, sob a condição de colônia adormecida devido à proibição de letras impressas no local. Os dirigentes portugueses mantinham com severidade o controle intelectual, com intuito de manter a consciência cidadã enfraquecida, sem a influência reflexiva conseqüente do conhecimento.

O marco da chegada da imprensa ao Brasil foi a transferência da família real, de Portugal para a colônia. Dom João VI começou, então, um processo de desenvolvimento intelectual de sua presente residência.  A colônia, na condição de sede de seus dirigentes, se viu progredindo nos aspectos econômicos e políticos. A invasão francesa em solo português foi ponto crucial para o a implantação de fábricas, faculdades, e em 13 de maio de 1808, da primeira casa editora, responsável pela impressão de livros didáticos. Isabel Lustosa (2003, p.8) aponta o surgimento da imprensa um dos fatores fundamentais para a Independência do país, que aconteceu quatorze anos após a inauguração da palavra impressa por aqui. 

Era inegavelmente uma mudança radical na vida e nos costumes da antiga colônia. Essa mudança seria seguida, quatorze anos depois, pela Independência. Mas, entre a chegada do rei e o Sete de Setembro de 1822, uma sucessão de acontecimentos internacionais e locais formariam o caldo em que foi cozida a Independência do Brasil. O elemento mais importante para esse processo foi mesmo a mudança do centro do poder português de Lisboa para o Rio de Janeiro, com todas as suas conseqüências. Dessas, as mais decisivas foram, a revolução constitucionalista do Porto, em 1820, e a liberação da imprensa no Brasil. 

Um ponto interessante do surgimento do primeiro jornal brasileiro é o fato de ele ter nascido fora da colônia, por iniciativa de Hipólito da Costa. Aconteceu em Londres, para onde Hipólito fugiu exilado, em 1805.  Ele morou por muitos anos em Lisboa, em 1798, partiu para os Estados Unidos como enviado especial da corte portuguesa. 

Hipólito fora cativado por todo aquele desenvolvimento comercial e intelectual dos norte-americanos. Voltou para Portugal em 1800 influenciado por idéias maçônicas, e em Lisboa, assumiu um cargo na Imprensa Régia. Em uma viagem de trabalho à Londres, deparou-se também com a maçonaria de lá. As atividades com os maçons ingleses renderam-lhe sua prisão, logo após sua volta, a Portugal.

No seu exílio em Londres, após sua fuga em 1805, trabalhou como professor e tradutor. Com a ida da família real para a colônia brasileira, e estimulado pela independência intelectual inglesa, “Hipólito reconheceu esse fato único – o de uma cabeça coroada reinando na América” (LUSTOSA, 2003, p.13). Sua posição favorável em solo inglês pelos contatos maçônico e sua amizade com o Duque de Sussex, filho do rei, fez com que ele se sentisse confortável para exercer sua natureza de jornalista. Hipólito queria escrever para o leitor brasileiro, e assim o fez.  O periódico se chamava Correio Braziliense e tinha função também educativa. Sobre o assunto, Lustosa (2003, p.15) argumenta:

Num tempo em que acesso à educação era tão menos democrático, em que vivíamos mudança do mundo a partir das idéias disseminadas pelo Iluminismo ao longo do século anterior, a imprensa se firmara como um importante difusor das chamadas Luzes. Naquele contexto, o jornalista se confundia com o educador. Ele via como sua missão suprir a falta de escolas e de livros através dos seus escritos jornalísticos. 

O que a autora evidencia, ao retratar o papel de Hipólito da Costa na imprensa brasileira, é a capacidade de se acumular, em diários, informações como fontes de consulta e comparação de sociedades, para qualquer interessado. Escrever cronologicamente sobre os costumes a trajetória política e social de algum lugar é construir um objeto de consulta. O jornal é uma fonte primária, é um documento histórico para o estudo de uma sociedade e cultura de um período.

O Correio era um jornal em formato de livro, repleto de discursos e “densos artigos onde a informação era veiculada de forma circunstanciada e analítica” (LUSTOSA, 2003, p.15). Ele era um jornal politicamente posicionado e tão importante para a trajetória da imprensa nacional quanto para questões históricas relevantes. Lustosa (2003, p.17) conta: 

Era para informar os brasileiros do que se passava no mundo, para influir sobre seus espíritos direcionando-os no sentido das idéias liberais, para chamar a atenção para o caráter daninho do Absolutismo ou de qualquer forma de despotismo que Hipólito escrevia. 
Em setembro de 1808 foi impresso o primeiro jornal em solo brasileiro, chamava-se Gazeta do Rio de Janeiro e era completamente monitorado pela Imprensa Régia. A Gazeta era completamente orientada pela ideologia da realeza, o leitor carioca somente tinha acesso às informações comprometidas com os interesses das classes dominantes.

A partida de Dom João VI ocorreu numa época efervescente no solo da colônia. Constantes discussões surgiam sobre a Independência e, naturalmente, surgiram impressos independentes. O Brasil, sob a condição de colônia, via florescer uma imprensa engajada nas questões de liberdade sócio-econômica do local, e os periódicos independentes eram instrumentos de articulação e propagação de ideologias.  O Brasil estava apenas no início de bravas lutas pela Independência. Eram os primeiro capítulos da história nacional tendo-se a imprensa como instrumento de influência nas questões sociais da época.

Falar da história do Correio é falar da história do Brasil. E assim ocorre com muitos outros periódicos. O jornal impresso tem enraizada a função de mediador entre a sociedade e seus dirigentes. É também, através dos periódicos que se pode conhecer, com riqueza de detalhes, os costumes de uma sociedade, podendo-se assim entender as mais diversas culturas. Vale destacar a importância do jornal na esfera política e seus desdobramentos junto à sociedade.  

Os cadernos políticos trazem informações essenciais para o conhecimento da maneira com que, através das épocas, as classes dominantes se comunicaram com outros estratos sociais, bem como a forma que tais estratos recebem as informações por meio do jornalismo. Silva (2006, p.37) comenta:

A imprensa adquire importância como objeto historiográfico no campo da história política quando consideramos a especificidade do político, em sua dinâmica própria, e as relações de mediação entre a sociedade e estado. [...] Na medida em que valorizamos as mediações entre sociedade e Estado e entendermos que os conceitos, como formas de consciência, compõem a vida política, apreçaremos também a imprensa. Nesse contexto, a imprensa, sobretudo a periódica, é um importante meio de construção de culturas políticas específicas, ou seja, empiricamente verificáveis e de interesse historiográfico.

Não importa a época, o jornal impresso tem a capacidade de contar a história do lugar, influenciar o leitor e exercer a função de mediador entre sociedade e Estado.  Através do jornalismo impresso, faz-se um banco de dados capaz de oferecer conteúdos legítimos o bastante para pesquisadores, historiadores e a população em geral. O indivíduo precisa conhecer a história do seu país, e ter acesso a periódicos, com a envergadura moral necessária para estudo e análise, é relevante para a construção da memória histórica do cidadão.

Os acervos de jornais são verdadeiras bibliotecas, qualquer um pode estudar, analisar, apenas conhecer a história de qualquer lugares através de um simples jornal. Ele reproduz a conjuntura sócio-econômica de uma sociedade, as notícias, seus tamanhos, sua disposição na página. Ilustrações e editorias formam um conjunto de posicionamentos capazes de tornar possível a análise e reconstrução crítica da história do lugar.

Jornais são instrumentos de voz, possibilitam a propagação de ideologias, são formas eficazes de influência de massa e legítimas fontes de consulta.  

LUSTOSA, Isabel. O nascimento da imprensa brasileira. Rio de Janeiro. Jorge Zahar.2003

Um pedaço de papel faz História comprometida


São muitas as dúvidas sobre o porquê da completa aversão do grande público pela esfera política nacional. É intrigante ponderar sobre os motivos pelos quais a imagem do Poder Executivo e, principalmente, a imagem do Congresso Nacional é tão desgastada e desconexa. 

A ideia passada pela cobertura dos grandes jornais impressos brasileiros é de que as instituições estatais são palco de picuinhas pessoais, troca de favores, articulações de classes dominantes. 

Os interesses sociais, o posicionamento dos partidos, as pautas vigentes formam o pano de fundo da cobertura comprometida dos grandes veículos de mídia impressa nacionais. O jornal impresso enquanto aparato histórico de consulta, para os mais diversos membros da sociedade e seus inúmeros ofícios, possibilita a construção e representação de épocas, costumes, num dado período de tempo, sem contar a legitimidade imposta pelos periódicos. 

Eles são meios dotados de capacidade de intervir na opinião pública, conduzir idéias pelas diversas classes sociais e, dentro de contextos específicos, são formas de dominação e manutenção de classes orientadas por interesses econômicos e ou políticos.

Constatar o jornal como mero instrumento de manutenção do poder das famílias brasileiras associadas às elites políticas, que possuem o controle das empresas brasileiras de mídia impressa, caracteriza os periódicos nacionais como meios de comunicação comprometidos e ideologicamente orientados, de forma contrária ao direito à livre e idônea informação. 

O caráter de fonte de consulta histórica, que possibilita demasiadas representações e interpretações das épocas do homem, destaca a importância de discussões embasadas sobre o papel do jornal na preservação da cultura nacional.


A Tendency To Start Fires









Guitarras entrecortadas e distorcidas de forma harmoniosa – acredite se ouvir – mescladas a um ambiente, que vai do sussurrado ao gritado, através de acordes simples, ora melancólicos, ora raivosos, completam-se numa linha de bateria seca e baixo forte. Esse é o Bush, a banda inglesa que, misteriosamente, não conseguiu fazer sucesso em seu país de origem. 

Talvez porque o som do grupo, para os ingleses, pareça extremamente americano, ou que se assemelhe ao de bandas como o Nirvana e Pearl Jam. Ambas dos Estados Unidos, especificamente de Seatlle. Lugar este, na década de 90, celeiro do rock alternativo, intitulado popularmente como grunge.


Gavin Rossdale e Nigel Pulsford conheceram-se num pub lá pelo ano de 1992. E, neste mesmo bar decidiram formar uma banda. A eles, juntou-se Dave Parsons, Robin Goodridge e Sacha Putnam, que logo abandonou o grupo. Todos já haviam se esbarrado através do circuito de bandas underground de Londres. E, com dinheiro do próprio bolso, investiram tudo que podiam no projeto.


Pode-se dizer que o Bush atingiu o sucesso relativamente rápido. Em menos de dois anos já tinha assinado contrato com a, até então desconhecida, Trauma Records. Seu disco de estréia, Sisteen Stone, conseguiu colocar cinco músicas no topo das paradas americanas.


A faixa Everythin Zen, literalmente, abriu as portas dos principais estádios para que o Bush se apresentasse. Depois da produção do seu videoclipe, a música ficou na primeira colocação de listas das principais rádios dos Estados Unidos.


Os shows raivosos e fortes, com duração de mais de uma hora e meia, propagaram o sucesso do grupo inglês pela terra do tio Sam. Depois de dezoito meses de turnê, os músicos voltaram à sua terra natal para produzir o segundo cd. Ele viria a se chamar  Razorblade Suitcase. 


Se Sisteen Stone é cheio de raiva e força, Razorblade Suitcase apresenta melodias mais trabalhadas e atmorfera depressiva. Faixas como Synapse, Personal Holloway, Bonedriven e Communicator são exemplos desta atmosfera. Outras como Insect Kin e History mantém o lado agressivo do Bush.


No ano de 1997, um cd de remixes com batidas eletrônicas é lançado. Onze faixas de vários cds ganham uma nova versão pelas mãos de disc-jóqueis. Destaque para Mouth, que ganhou videoclipe e fez parte da trilha sonora do filme Um Lobisomem Americano Em Paris.


No meio tempo do sucesso da banda, todos os integrantes começam a investir em projetos paralelos. No entanto, as produções musicais do Bush continuam a todo vapor. É lançado, então, The Science Of Things. E, embora sejam aclamadas músicas como Warm Machine e Letting The Cables Sleep, dever-se-ia (Olha a ênclise aí, gente!) dar mais atenção a incomparáveis composições como Spacetravel e 40 Miles From The Sun. 


Em seguida, vem o disco Golden State. Injustamente, o de menos sucesso. Nota-se incrível amadurecimento musical. Letras conflitantes e densas, junto à tradicional melancolia raivosa do Bush dão notoriedade técnica a este último álbum. 


Sem muitas explicações, o grupo se desfez no ano de 2002. Talvez o dito amadurecimento musical, citado a pouco, fosse reflexo de mudanças mais profundas dos integrantes da banda. Mudanças estas, podem ter sido maiores do que a motivação de continuar com a complexa tarefa que é fazer música, ainda mais em grupo. Mas quanto a isso, só resta lucubrar...


O fato é que os bonitinhos voltaram com o Bush em 2010! Eu ainda não entendi o retorno dos mortos-vivos e nem o som que eles andam fazendo. Por enquanto, é melhor manter um hiato sobre o assunto.

Mais do mesmo


O que é ser brasileiro? 
O que é ser cidadão? 
O que é ser esquecido pelo Estado? 

   Tais perguntas talvez não transitem com freqüência na mente de muitos, no entanto, suas respostas norteiam, mesmo que inconscientemente, a vida daqueles que vivem num jogo de sobrevivência, numa trama de constante luta pelo respeito aos direitos constitucionais mais básicos, às necessidades mais óbvias.
   As eleições presidenciais acabaram, Lula foi reeleito. O tema do momento é sobre reformas, sejam ministeriais, previdenciárias, tributárias, enfim, sobre tudo que atende, principalmente ao interesse dos que compõem o Congresso, o Poder Executivo e o Judiciário.
   Outro assunto que está e, aliás, sempre esteve em alta no país, são as CPIs. Podem ser das sanguessugas, das ONGs, ou sobre qualquer outro tema. Abrem-se inquéritos, se gasta dinheiro para investigações, direciona-se parlamentares para trabalhar no assunto, o povo perde seu tempo ouvindo sobre coisas vâs que nunca chegam numa conclusão concreta. 
    Oh, pizza indigesta!
  Especialistas afirmam que o país está crescendo. Mas quem, afinal de contas, se beneficia com tanto crescimento.  As reformas, as CPIs, as elucubrações dos economistas não fazem com que o país se transforme num lugar de possibilidades concretas.           
  Tanto potencial que é jogado fora por jogos de interesse. A corrupção desenfreada e cancerígena, a mídia comprometida com quem não deve e a falta de conscientização dos mais esclarecidos quando o assunto é nação tornam difusa a ideia de como prosseguir.
  Enquanto isso, o brasileiro, o cidadão, o Estado continuam apenas como palavras, apenas junções de letras. Não fazem sentido em paradigma nenhum da realidade do país. A reforma realmente necessária é aquela promovida pela população e as CPI's somente terão algum resultado quando já não forem mais necessárias.  

Outubro/2006